São Fco.

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terça-feira, 12 de julho de 2011

Aumentar o número de vereadores: eu voto sim.


Lendo o Diário Catarinense de domingo vi que em todo o nosso estado se discute o aumento do número de vereadores. Em Criciúma não é diferente. Nossos meios de comunicação vêm puxando o debate, com ênfase na ideia de que não se deve aumentar. Infelizmente, o discurso que está por trás, o discurso subliminar, é um discurso de desqualificação da política. Este discurso interessa a quem tem poder e não interessa à maioria da população.

No "Manhattam connection" deste domingo (programa que infelizmente une conhecimento com boçalidade) o queridinho da Veja, Diogo Mainardi, afirmou nestes termos: "todo político é vagabundo". De fato, se todo político for vagabundo, é melhor não aumentar o que já é ruim e, no limite (e este limite chega historicamente, é questão de tempo), o que se quer mesmo (mas ninguém confessa, pois hoje seria feio) é eliminar estas instituições "inúteis" do liberalismo democrático. Já assisti este filme nas décadas de 20 e 30 do século passado. Não foi o melhor momento da humanidade ocidental.

Não é verdade que mais vereadores implica maior despesa necessariamente. O que é absolutamente necessário em termos de reforma política é devolver as condições para que os membros do Poder Legislativo (municipal, estadual e federal) exerçam as funções exclusivas de parlamentares: legislar e fiscalizar.

Para isso têm-se que acabar com as emendas individuais ao orçamento e com as dezenas de assessores parlamentares (outro dia um Legislativo estadual mudou a lei para que cada deputado estadual possa ter até 30 assessores. Não, você não leu errado, são 30 assessores por deputado!).

Quando os parlamentares forem somente parlamentares eles serão menos cooptáveis pelo Executivo e cumprirão melhor suas funções constitucionais.

Como vocês acham que foi possível a nossa ALESC estabelecer a tradição de eleição do seu presidente por unanimidade? É porque o deputado virou um mero buscador de condições de sua reeleição e se o candidato a presidente do Legislativo garantir um assessor aqui e outro ali para todo mundo acabaram (nesta lógica invertida da democracia e da política que se estabeleceu) os motivos para ser de oposição!

Pra quê votar num sujeito de esquerda se ele elege docemente um sujeito de direita para presidir a Assembléia? O argumento vale no sentido contrário: quem elege um conservador não quer que ele fortaleça outros projetos. Daí, quando aparece um bando de gente aposentada por invalidez devidamente autorizada pelo órgão de controle (controle?), já é tarde.

Aumentar o número de vereadores sem aumentar as despesas é bom para a cidade, pois reforça a democracia. Menos vereadores significa que é mais difícil a eleição de um candidato desvinculado de interesses de fortes grupos econômicos.

Com mais vereadores os grupos de poder perdem e a população ganha, pois aumenta a possibilidade de um candidato vinculado aos interesses populares chegar a obter um mandato. Isso só pode ser visto como algo ruim por quem não preza a democracia na sua acepção mais pura: poder do povo.

Agora, a grande ausência neste debate todo é a democracia direta. Esta questão é uma típica questão a ser resolvida por plebiscito! Os detratores da democracia dizem que a democracia direta não é viável porque a população não alcança a complexidade das questões de Estado. Existe questão mais singela que esta, a do aumento dos vereadores?

A decisão popular teria duas vantagens inequívocas: (1) legitimidade indiscutível do que for decidido e (2) neutralização do elemento corporativista da decisão dos vereadores. Antes que alguém diga que o plebiscito custa caro, adianto dois argumentos: (1) ele deve ser feito rotineiramente nas eleições que ocorrem a cada dois anos (não há urgência neste tema dos vereadores); (2) se você acha a democracia cara, experimente o custo da ditadura. A história já mostrou este custo.

Plebiscito já. Chega de intermediários. Que a população se manifeste. Meu voto, adianto, é sim.

Na charge acima, a representação de quatro líderes mundiais que achavam as instituições liberais um penduricalho inútil: Hitler, Mussolini, Franco e Stálin. Eles votariam contra o aumento do número de vereadores.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mau jornalismo, última edição?



O maior tablóide sensacionalista britânico vai encerrar suas atividades. O News of the world, de Rupert Murdoch, o magnata mundial da mídia atual, terá sua última edição neste domingo. ESpionagem , bisbilhotice, calhordice, crime. Tudo isso envolvido com o periódico do moço.

Mas, calma, milhões de leitores! A calhordice não vai acabar, pois os milhões de ávidos leitores não podem ficar sem sua dose semanal de satisfação dos mais baixos instintos humanos. Murdoch só vai trocar o nome do seu "veículo de comunicação impresso".

O pior é que os tablóides britânicos, assim com a Veja no Brasil, são os que mais vendem e são lidos, o que mostra o que é o ser humano. Tá cheio de bons jornais por aí, lidos por pouca gente. Na prática, não existem.

Torço pelo dia em chegará o fato expresso na imagem acima.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Reporcagem da Veja


Mais uma vez a revista Veja mostra seu estilo de trabalho (não é jornalismo faz tempo).

Desta vez, como tratou de atingir alguém que conheço pessoalmente, fica explícita para mim a sua intenção exclusiva de difamar quem pertence a um projeto de sociedade que diverge da visão dos que militam na revista.

A revista afirma irresponsavelmente que: "José Geraldo, cujo único mérito acadêmico evidente deriva de sua militância política, (...)"!!!

O que que é isso!

Basta uma olhada no "lattes" do professor para ver o nível de falsificação da verdade produzida por Veja.

Minha solidariedade ao reitor na UnB e repulsa renovada ao que Veja faz.

Já que somos do Direito, basta ver a notícia da OAB sobre o Direito da UnB: o que mais aprova no exame de ordem em TODO o Brasil. Justo lá, berço do projeto "Direito achado na rua". Ironias do destino.

na foto acima, o professor doutor José Geraldo de Souza Junior, Reitor eleito da UnB, descrito na Veja desta semana como responsável por transformar a Universidade de Brasília numa escola de métodos "islâmicos" para propagação de ideias esquerdóides.

Os rumos de Chavez


Chavez, presidente da Venezuela, tem sido uma pedra no sapato para quem é de esquerda.
Sempre que debato com alunos sobre regimes políticos, ditaduras, democracias etc, ele é apontado quase unanimemente como um ditador. Nas justificativas, os argumentos sempre são os da imprensa hegemônica brasileira, notadamente a revista Veja, a mais lida.

Sempre tentei estimular o debate, trazendo alguns fatos á baila e tentando desconstruir estereótipos grosseiros. Mesmo distante, tenho a convicção de que na Venezuela até aqui não temos uma ditadura. Se Chavez aprovou tudo o que quis na última legislatura tal se deu em virtude de erro da oposição, que boicotou a eleição, o que levou o Presidente venezuelano a ter um congresso com 99% de adesão ao governo.

Mas, minha posição sempre foi "cum grano salis". Afinal, Chavez é militar e tentou um golpe militar, em 1992, se não me engano. Não gosto do seu estilo falastrão e não gosto de líderes centralizadores. Mais, que tudo, um bom projeto político tem que pensar a criação e renovação de suas lideranças. Tem que criar Instituições sólidas. Não parece haver um bolivarianismo além de Chavez, mostraram suas atitudes recentes quando do tratamento de sua doença.

As imagens de ontem de comemoração dos 200 anos de independência do país reforçam a impressão de que a coisa lá não via ficar boa. A estética dos desfiles é típica de ditaduras militares. Tomara que eu esteja errado.