São Fco.

São Fco.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Me gustan los estudiantes (Mercedes Sosa)

Que vivan los estudiantes
Jardín de nuestra alegría
Son aves que no se asustan
De animal ni policía
Y no le asustan las balas
Ni el ladrar de la jauría
Caramba y zamba la cosa
¡Qué viva la astronomía!
Me gustan los estudiantes
Que rugen como los vientos
Cuando les meten al oído
Sotanas y regimientos
Pajarillos libertarios
Igual que los elementos
Caramba y zamba la cosa
Qué viva lo experimento
Me gustan los estudiantes
Porque levantan el pecho
Cuando les dicen harina
Sabiéndose que es afrecho
Y no hacen el sordomudo
Cuando se presente el hecho
Caramba y zamba la cosa
¡El código del derecho!
Me gustan los estudiantes
Porque son la levadura
Del pan que saldrá del horno
Con toda su sabrosura
Para la boca del pobre
Que come con amargura
Caramba y zamba la cosa
¡Viva la literatura!
Me gustan los estudiantes
Que marchan sobre las ruinas
Con las banderas en alto
Pa? toda la estudiantina
Son químicos y doctores
Cirujanos y dentistas
Caramba y zamba la cosa
¡Vivan los especialistas!
Me gustan los estudiantes
Que con muy clara elocuencia
A la bolsa negra sacra
Le bajó las indulgencias
Porque, hasta cuándo nos dura
Señores, la penitencia
Caramba y zamba la cosa
Qué viva toda la ciencia!
Caramba y zamba la cosa
¡Qué viva toda la ciencia!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O peão que virou Rainha


Em análises políticas, não é incomum vermos o velho jogo de xadrez ser utilizado como figura de referência para ilustrar as estratégias envolvidas no jogo político. No contexto atual do golpe e pós-golpe o jornalista Luis Nassif passou mesmo a denominar todas as suas análises (muito boas, por sinal) como "xadrez da lavajato", "xadrez disso, daquilo", etc.

A decisão do TRF4 que deu carta branca ao juiz lavajato, na semana passada, escancarou algo que toda a comunidade jurídica já percebia, mas da qual ainda não havia sido passado um recibo tão altissonante.

É que a todos que observam o desenrolar dos fatos desde a instalação da operação "Lavajato", em especial a desenvoltura e o superpoder de fato instalado em juízo de primeira instância em Curitiba, a todos espanta que justamente um juiz de primeira instância (repetição intencional) tenha podido livremente funcionar como um catalisador da crise política que se tornou institucional ao ponto de derrubar uma presidente da República.

Aqui podemos buscar no xadrez o motivo e a explicação da estupefação da comunidade jurídica e política com o poder de fato adquirido pelo juiz lavajato, um juiz de primeira instância, o equivalente a um peão no jogo de xadrez (pois o Judiciário é Poder hierárquico, com instâncias superiores de revisão que prevalecem sobre a decisão do juiz da base do sistema).

O xadrez é jogo de pura estratégia, todos sabem, onde a sorte tem nenhuma incidência, daí talvez o fascínio que gera em muitos. O que poucos sabem é que o peão, peça de menor valor e poder ofensivo, pode, de acordo com as regras do jogo, ser transmutado em qualquer outra peça de maior valor se e quando, normalmente nos finais de jogo, logra atingir a oitava casa do tabuleiro. Ou seja, um mero peão, chegando à oitava casa, poderá ser convertido em uma rainha, a peça de maior poder ofensivo do jogo de xadrez.

Mas quem joga sabe que, para o peão chegar na oitava casa, alguém tem que ter deixado isso acontecer. Em várias etapas desta operação que corrói o estado de direito no Brasil, o peão de Curitiba foi testando seu avanço. Percebendo que não seria incomodado pra valer (a reclamação em que Teori anulou a escuta e divulgação do áudio "tchau querida", de 16 de março, sem tomar qualquer medida efetiva contra o juiz responsável bem exemplifica isso), de casa em casa chegou ao final do tabuleiro. A decisão do TRF4, na semana passada, tristemente representa a transmutação do peão em rainha na oitava casa, com os desembargadores autorizando o juiz paranaense a criar na prática a sua legislação para a sua ação.

Que a autorização tenha se fundado em Agambem e suas reflexões sobre o estado de exceção (em modo reverso, que vergonha alheia) apenas edulcorou o momento solene com as tintas da brutalidade e da infâmia.

Quem quiser saber como o peão se tornou rainha no golpe de 2016 é só se dirigir ao TRF4 em primeiro lugar, mas de maneira definitiva ao Supremo Tribunal Federal, que coonestou institucionalmente toda esta disfuncionalidade letal para a democracia brasileira.

No xadrez, ao final de cada partida, os jogadores reposicionam as peças para o novo jogo que virá. É o momento em que o peão volta a ser a peça modesta e pouco decisiva em comparação com as demais. Tenho a impressão de que neste ponto cessa o paralelo entre a política e o xadrez: não será tão fácil recolocar os peões no seu devido lugar.

Soltaram o monstro porque ele era útil para caçar o inimigo. Quanto nos custará colocar o mostro na jaula de novo?

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Conseguiram!

* foto de péssimo gosto publicada pela folha de São Paulo ainda no primeiro mandato. Nossos meios de comunicação de maior abrangência nunca esconderam em seu discurso direto ou subliminar sua posição em relação ao governo petista e seus principais líderes, Lula e Dilma. Sobre Lula há uma manchete de tão péssimo gosto como esta fotografia, na mesma Folha: "Lula está com câncer, MAS tem cura". Nunca vou esquecer...

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Melancólico fim do ciclo do petismo no poder federal

Lendo os jornais de hoje, a notícia que mais me chama a atenção - por seu teor decisivo - é a rejeição da direção nacional do PT em apoiar a proposta de Dilma Rousseff de realizar um plebiscito caso volte ao governo. Se o próprio partido da presidente afastada age assim, a sinalização mais do que clara é de que Dilma já foi descartada até mesmo por seu próprio partido.

O plebiscito era sim uma boa ideia. O processo de exclusão do PT do governo federal foi um processo complexo, que envolveu uma articulação entre a mídia dominante, o MPF e setores importantes do Poder Judiciário. Este processo por enquanto está a entronizar Michel Temer na presidência da República, mas é evidente que a divisão do butim levará os "unidos contra o PT" à divisão dentro de suas fileiras. Não está assim tão longe do horizonte de possibilidades uma rasteira em Temer para a eleição indireta, ano que vem, de alguém mais consistente na defesa dos interesses deste processo político (cujos interesses de fundo são tão claros).

O plebiscito teria sido uma movimentação no sentido de fortalecer a soberania popular e inseriria um fator inovador no processo que transcorreu tão suavemente para os golpistas. Dilma estar do outro lado do tabuleiro favoreceu muito aos que a queriam fora do Planalto. Ela tem uma visão burocrática do exercício do poder, faltando-lhe o tirocínio para os tempos de tormenta. À Dilma falta a completa noção da importância do tempo na política, noção que não faltou aos seus algozes no Judiciário e no MP (exemplo maior, dentre tantos, foi a suspensão de Eduardo Cunha no tempo "certo").

Mas o plebiscito sugerido agora  já não faz o menor sentido. Neste processo, grande decepção vem também do partido de Dilma, o PT. O PT, a grande construção política do processo de redemocratização, vem demonstrando uma visão política muito aquém dos desafios a que foi submetido. De partido orgânico e complexo que era na fundação, sua experiência no poder só parece ter-lhe feito muito mal. Esta desautorização pública de Dilma evidencia sua (do PT) visão míope de todo o processo, pois está repetindo a posição de muitos que, em 1964, acreditaram que a ruptura institucional somente prejudicaria Jango, aumentando as possibilidades de êxito de cada um para a eleição de 1965.

O PT não parece trabalhar com a hipótese de repetir-se 1965, ou seja, de que as eleições de 2018 possam (1) ser efetivamente suspensas ou, mais provável nos tempos atuais, (2) possam ser realizadas em moldes adulterados sob medida para o não retorno da esquerda ao poder (vejam agora as regras eleitorais que impedem os candidatos de partidos pequenos de participarem de debates. Todos sabem e o STF já sinalizou positivamente: basta aprovar o semipresidencialismo). Descrendo da ferocidade do golpe e supervalorizando (mitificando) sua principal liderança - Lula - o partido caminha com suas próprias pernas para a irrelevância política. Não precisava ser assim.

É tão difícil assim para a liderança do PT compreender que quem promove um processo antidemocrático destas proporções e consequências não o terá feito para logo ali na frente devolver o poder novamente à esquerda?

O que mais me choca é a paralisia que a liderança de esquerda petista produziu no seu campo político em todos estes anos. Um grande contingente da população brasileira poderia ter sido inserido como peça importante neste processo político, mas a liderança do governo, Dilma, mas também Lula e o PT, em suas ações somente produziram inação e perplexidade.

As consequências já se fazem sentir: um imenso retrocesso que atingirá toda a sociedade que começava a dar seus primeiros passos num caminho de inclusão e igualdade social.